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poemas como vidro: translúcidos, frios, duros e cortantes.

Leia Mulheres Goiânia – Junho 2017

O Leia Mulheres Goiânia é uma filha parida que deu certo. Eu tenho muito orgulho de ter feito parte deste projeto pelo seu primeiro ano de existência. Sabe, lá atras quando pensamos em trazer o projeto pra cidade a gente tinha muita dúvida, mas muita coisa que a gente queria construir.

Daí que as coisas foram dando certo, espaços de afeto foram sendo criados e eu só tenho a agradecer à Maria Clara Dunck pela parceria, por ser a dupla mais generosa do rolê. E também a  todas as pessoas que compareceram aos encontros do clube; aos espaços culturais que nos abrigaram e a tantas outras coisas lindas.

Agora, com novas mediadoras, repaginado e cheio de bossa, o clubinho mais amado de Goiânia me convidou como escritora. Leremos e debaremos no encontro de junho o Ultraviolenta, minha loba parida em poesia, afeto e resistência.

Os detalhes a gente passa com calma mais pra frente. Dá pra adquirir um exemplar do livro com as mediadoras Maria Clara Dunck, Taluana Wenceslau, Cris Melo e Amanda Faria. Ou dá pra mandar um e-mail pra pilarbu@gmail.com que a gente conversa direitinho.

No dia do clube também venderemos exemplares, autografaremos e teremos muito amor e afeto. Ultraviolenta será vendido a 30 reais, em dinheiro ou transferência bancária.

Vai ser lindo. Cola no bonde do amor!

E pra saber mais sobre o leia mulheres Goiânia clica aqui.

Um xero e até lá.

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foto Polli DiCastro, arte do Carlos Montesanto e design gráfico do Vinícius Lousa

 

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Novas Escritas do corpo feminino

Já é na sexta (26/05) que participo na Faculdade de Letras da UFRJ, às 11:00, no Rio, da mesa Escritoras do Feminino. Muito bem acompanhada das maravilhosas e incríveis Dinha, Elaine Marcelina e Carolina Turboli, a mesa será mediada pela pesquisadora Anélia Pietrani, que eu adoro.

Agradeço imensamente à Luana Antunes e à Maria Teresa Salgado pela generosidade, carinho e empatia em me convidarem pra esse momento tão especial. Estou imensamente emocionada.

Na ocasião falaremos de nossas experiências como autoras, das dificuldades de circulação de nossas obras e das coisas que nos motivam para escrever. Trocaremos afeto, lançaremos nossos livros, distribuiremos autógrafos e teremos um momento incrível. Uma linda oportunidade pra aprender, pra ouvir, pra estar com pessoas que admiro tanto.

O Ultraviolenta, que foi lançado pela Kotter Editorial em 2017, será vendido ao preço de R$ 30 reais em dinheiro ou transferência bancária. Já Já eu faço um post todo especial a respeito do livro e contando tudo sobre os lançamentos que já aconteceram (Goiânia e Brasília)

Pra quem está em outras cidades e estados do país, pode me mandar uma mensagem pro e-mail pilarbu@gmail.com que a gente combina tudo direitinho sobre envio e tudo mais. Vai autografado e bem lindo pra sua casa.

Cola nesse bonde do amor que tá bem lindo!

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O dia em que eu virei uma Supernova

Eu acredito muito em redes de afeto. Redes que a gente cria quando por empatia se conecta com as pessoas por gosto, ideologia, literatura.

A edição especial 6 da Revista Parênteses trouxe novas escritoras da literatura nacional. Chamada de Supernova, reuniu um monte de mina que eu adoro, com versos arrebatadores pra dizer que bem, não estamos aqui a passeio.

Alguns poemas meus, alguns inéditos e outros não foram publicados nessa lindeza. Ao lado de Daisy Serena, Estela Rosa, Yasmin Nigri, Julia Raiz, Carolina Policarpo, Priscilla Campos, Rita Isadora Pessoa e Maíra Mendes Galvão. É uma edição de abrir o sorrisão e se entregar imensamente à poesia.

Fico feliz e honrada pelo convite da Lubi Prates e do Bruno, por poder mostrar meus versos em momentos tão sombrios, essas vozes que rompem silêncios quando nos dão espaço para falar. E transcrevo aqui a lindeza do editorial que eles publicaram:

“é um momento de crescimento na produção literária feita por mulheres brasileiras. Novos nomes surgem a cada instante, alguns um tanto tímidos e outros provocando burburinhos. Em ambos os casos, essas escritoras trazem frescor ao que já foi pensado, feito, discutido.

A Parênteses se arrisca a pinçar alguns destes no- mes na Internet e arranjá-los nesta edição especial.

O trocadilho “supernovas” não diz respeito só à ida- de das autoras. Na verdade, tem muito mais a ver com o brilho estelar delas.”

 

Dá pra acompanhar a edição lindeza aqui !

Cola nesse bonde de amor!

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Sobre ocupações e afeto

A PEC 241, atualmente PEC 55 no senado, é um dos maiores retrocessos que a história do país já viu. A minha história, que vem sendo construída, aos poucos e mais recentemente como feminista e em prol da literatura de autoria feminina não foi construída apenas por mim. Ninguém faz nada na vida sozinha, a gente precisa de outras pessoas que nos apoiem, nos acolham, nos acarinhem… curioso que em geral as pessoas que sempre me estenderam as mãos são mulheres.

Tá, se isso fosse redação de ENEM daria fuga ao tema, mas nem tanto. O que quero dizer é que construímos histórias bonitas e de sucesso sim, mas não por mérito e sim por acesso e oportunidade e que não construímos nada olhando pro próprio umbigo. E o que a PEC quer fazer com o nosso país é tirar oportunidades, jogar-nos num retrocesso que durará longos e dolorosos 20 anos. Impossível me posicionar a favor de tamanha crueldade.

No dia 26/10 estive na UEG de São Luis dos Montes Belos, a convite do meu amigo e coordenador do curso de Letras Alex Bruno. Foi demais ver tanta gente interessada em desconstruir os discursos, romper com tabus, quebrar essa bagaça toda de esteriótipos. No início da minha fala convoquei a todos para um incrível #foratemer, depois de falar da importância da universidade pública, e deixei todo mundo surdo ao gritar no microfone (roqueira né amigas). Um auditório cheio de alunos politizados: vocês são demais, queridos! E o que a UEG, a UFG, a UNB, a UFRB, a UFRJ e todas as universidades públicas tem é ser o espaço de promoção do debate, do conhecimento e principalmente devem ser o espaço da alteridade, da sororidade, da empatia e da diversidade.

E daí que desde sexta eu tenho vivido uma das experiências mais bonitas e coletivas e empáticas e poderosas : a ocupação da UFG. Quando a gente faz mestrado (e olha, eu sei dos meus privilégios) fica muito recluso, parece um ermitão na saga pelo artigo, pela matéria, pela academia. E a academia é maldosa, segregadora, seletiva e classista sim. O que as ocupações estão fazendo é essa retomada e ressignificação do espaço da universidade, transformá-la em mais humana, mais nossa, menos imortal, menos parada no tempo.

E eu queria poder ter estado mais presente e atuante, erro meu, agora passarei a semana em Brasília (visitarei a ocupação da UNB) e não poderei acompanhar mais de perto o que se passa aqui em Goiânia, no meu amado campus samambaia. O fato é que, a convite de amigos incríveis, dei uma oficina de escrita na sexta. E os textos que saíram de lá foram tão poderosos, tão múltiplos, tão combativos, tão empoderadores que a minha vontade era de gravar vídeo de cada um. de dizer pra cada um o quanto meu coração se enche de alegria por ter o tesão devolvido por eles. Segunda vai ter sarau, microfone aberto, gente linda recitando poema, prosa, canção, gente mostrando que na ocupação tem literatura, tem amor, tem produção… e que vcs deveriam ir lá ver, sentir, viver tudo isso.

Hoje eu e a minha dupla do amor (Maria Clara Dunck, tô falando de vc) fomos novamente na ocupação da FIC – UFG. O convite veio de mulheres maravilhosas para levar o #leiamulheres para o cerne do debate, para o epicentro da discussão. A obra de Angélica Freitas, Um útero é do tamanho de um punho, é combativa, desconstruidora, disruptiva e um grande chamado pra luta. E ali, naquele auditório, dividimos a palavra, multiplicamos o afeto, somamos as lutas e pudemos criar um espaço de ressignificação e amor que nossa, nenhuma aula germinada de 4 horas vai dar pra gente!

Gritamos um uníssono “Ocupa Tudo” na hora da foto, saímos felizes e renovados e é impossível pra mim descrever a emoção.

Lá atras, quando começamos essa jornada de tentar descortinar todas essas questões que cercam a literatura de autoria feminina, quando decidimos abraçar o desconhecido, quando abrimos a porta do inferno e não voltamos mais, não imaginamos que viveríamos um momento tão bonito. A resistência tá no coletivo. Tá em precipitar e transbordar. Tá em resistir, seja lá como for.

Eu quero acreditar sinceramente que ainda somos nós que vamos mudar tudo isso. E eles vão tentar nos enterrar, vão tentar nos diminuir, mas a gente é pior que vício, é pior que praga, é pior que vírus: a gente é epidemia, a gente se espalha e a poesia vai fundar a resistência!

Ocupa a FIC. Ocupa a letras. Ocupa a UFG. Ocupa a UNB. Ocupa o país todo.

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A galera mais linda gritando: Ocupa Tudo!

 

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minha dupla arrasando no microfone #leiamulheres na Ocupação da FIC: Resistência e feminismo na literatura

A lista de livros

Recentemente me pediram (novamente) no facebook uma lista de livros que marcaram a minha vida. Vez por outra isso acontece, as pessoas sabem que eu gosto de escrever e, além disso, sou uma leitora voraz.

Daí que eu resolvi fazer uma listinha básica e sensual pra vcs e aqui. Só que eu vou subverter esse rolê. Sim, por que não basta ser leitora e escritora, tem que diversificar. Minha lista tentará, humildemente, contemplar alguns livros que eu adoro, o recorte são coisas que li recentemente, e tcharãm: sejam escritos por mulheres. Ai Pilar, cê anda muito monotemática. Bem, o bloguinho é meu e eu acho que se vcs leem o que eu escrevo aqui é por que tão ligados que vai ser diferente.

Pois bem, vamos à desforra:

 

1 – Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas.

Minha visão sobre esse livro é direta: tem que ler! Por que é uma ode ao feminismo? Porque é um tratado sobre a dessacralização da figura feminina? Por que desconstrói e derruba todos os forninhos em torno da representação da mulher em nossa sociedade? Não e sim, mas sobretudo por que é incrivelmente maravilhoso.

 

2 – Minimoabismo, de Priscila Merizzio

Outro tema que adora circular nas minhas redes sociais é a poesia pungente, urgente e inebriante dessa mulher vendaval. Olha, arrasta todos os móveis da casa, todas angústias internas, leva tudo e te preenche! Assim mesmo, que nem vento no litoral. Eu não consigo sair do Minimoabismo e já aguardo ansiosa pelo Ardiduras. E os vídeos dessa poeta são demais. Permita-se!

 

3 – Charcaritas e Gambuzinos, de Ellen Maria

Quando eu li esse livro foi um absurdo. Minha vida virou do avesso com a versão bilíngue português – espanhol. Escrevi sobre ele, fiz soundcloud, achei que não conseguiria me livrar de alguns versos dele por um tempo e assim foi. Ellen Maria não é só uma poeta incrível, mas também uma tradutora bacanuda. Ganhe horas do seu dia se deliciando com tanta coisa bacana.

 

4 – O Pomar das Almas Perdidas, de Hadifa Mohamed

Por causa do leia mulheres esse livro chegou nas minhas mãos (aliás, abrindo parênteses pro jabá o encontro sobre esse livro rola dia 30/06). E eu vou falar uma coisa: é impossível não se apaixonar por essas três mulheres. É impossível não se jogar nessa história de um jeito que não saiamos completamente diferentes desse rolê. Eu queria tanto ler esse livro que agora, putz tem um monte de coisas que fazem ainda mais sentido.

 

5- O conto de Aia, de Margareth Atwood.

O mais mainstream dessa lita retrata uma distopia num futuro próximo em que mulheres foram reduzidas à sua função biologizante e só servem pra uma coisa (efetivamente): procriação. Qualquer semelhança com a realidade de nossos tempos de extrema direita não são mera coincidência. Segura o embrulho no estômago e vai até o fim por que eu te garanto que vai valer a pena.

 

6 – O mito da beleza, de Naomi Wolf

Se tem um livro que mudou minha cabeça no último mês foi esse clássico da teoria feminista. O Mito da beleza desconstrói toda essa visão da sociedade patriarcal sobre os nossos corpos, os tabus e os ritos, os espaços de poder e afeto. Uma coisa que achei muito legal é que, apesar de abordar temas densos e ser um livro de teoria, tem uma linguagem bem agradável. É uma lufada de ar pra quem tá a fim de entender melhor dos paranauê.

 

7 – Coração na Boca, de Lubi Prates

Acho que esse livro já vale autora, que é quase uma mulher maravilha: tradutora, revisora, tem uma revista, editora, poeta, psicóloga. Ufa, essa mulher é muita coisa, mas além disso escreve bem. Consegue transformar um supermercado num ambiente de amor e me fazer correr pro soundcloud de tanta felicidade. Esse livro está nos finalmente e uma próxima edição eu ainda não sei quando vai rolar. Por isso fica ixperto.

 

8 – Coquetel Motolove, de Luiza Romão

“Conheci” a Luiza primeiro pelos seus vídeos-porrada na época das jornadas de junho, quando São Paulo tinha se tornado um caldeirão. A visão lúcida e crítica dela me fez ficar encantada. Aí, mais recentemente, descobri esse livro maravilhoso, cheio nuances sobre violência, dor e a necessidade de transformar em versos essas catarses. Coquetel Motolove é um convite sempre aberto para a revolução. Amo demais.

 

9 – Vaca e outras moças de família, de Renata Corrêa

Esse livro de contos da Renata nos desconcerta. Sério mesmo. São histórias de mulheres comuns, reais e por isso a empatia vem fácil a cada parágrafo. Novamente a desconstrução do feminino está presente e temos a sensação de que as personagens somos nós, nossas irmãs, amigas, tias, mães. Minas que a gente quer abraçar em uma construção literária maravilhosa, cheia de recortes cinematográficos.

 

10 – Lundu, de Tatiana Nascimento

Novíssimo, fresquíssimo, recém saído do forno. É aquele livro que vc tem comprar uns 5 exemplares de uma vez. Lindo do início ao fim, a concepção da capa, a tiragem escrita a mão, os poemas escritos na máquina de escrever, a poesia como forma de ocupação do espaço simbólico e físico do papel, os versos contundentes e arrebatadores de Tatiana Nascimento. Olha, compra um monte e dá pra todo mundo, por que esse livro tem que ser lido, folheado, amado por completo.

 

11 – Águas da Cabaça, de Elizandra Souza

Não é por que eu sou apaixonada por essa livro não, mas ele é maravilhoso mesmo. Um tratado de feminismo em forma de versos. Uma construção poética maravilhosa que funda corpo, voz, resistência e desconstrói a figura feminina de um jeito arrebatador. Acho que cê ainda não viu um trem assim. Além do mais, essa poeta é ativista, produtora cultura e agitadora da literatura contemporânea da mais alta qualidade.

 

É isso, espero que tenham gostado. Tem mais poesia do que prosa, mas né… puxando a sardinha.

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Leia Mulheres Goiânia – Sem Palavras

Na noite do dia 4/05 fomos à forra no segundo encontro do #leiamulheres Goiânia. A possibilidade de ter a autora conosco deixou a todos eufórico e a noite foi bem muito linda.

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Larissa Mundim, foto de Angela Macário

Leitores apaixonados puderam se entregar a essa obra que é a cara de Goiânia.

Pudemos debater com bastante aprofundamento a obra escrita a quatro mãos por Larissa Mundim e Valentina Prado, ainda que a identidade da segunda autora tenha continuado a ser um mistério, uma incógnita.

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Extrapolamos o horário, estreitamos os laços de afeto e tiramos muitas fotos.A obra já é um marco, o encontro pra falar dela também.

A empolgação foi tanta que escrevi uma resenha poético-literária do livro aqui para o site do #leiamulheres.

O que muita gente não sabe é que teve poesia para Nega e Lilu também.

Obrigada pela presença de todos. Teve lindo!

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Todos juntos para a hora do “x”

Ana Lu Rolim e Maria Clara Dunck, como sempre, vcs lacraram o rolê.

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Ana Lu Rolim, eu, Larissa Mundim e Maria Clara Dunck

Intermitências

Do post Poemas são como vidro ao Deu nas Escritoras Suicidas passou-se mais de um mês e hoje percebi que não havia explicado por que. Não que eu precise dar conta de tudo que acontece, mas externalizar é sempre bom.

Estive suspensa. Sim, desabitada: quartos, órgãos e pensamentos vazios, vozes desencontradas e ecos dentro das veias. A sombra da morte nunca é justa, sempre mutila, apaga, desloca o olhar e tudo acaba ficando pra depois. É como um furacão que destrói as possibilidades.

Não. Eu não morri. E não morreram perto de mim, mas sigo vigilante e atenta aos sinais, às perdas de vontade e de vida. A morte é a certeza que se tem de viver. É um pressuposto. Um não lugar. Uma aposta alta que fazemos.

Espero que a doença seja entendida, seja aceita como natural, para que as drogas possam enfim encher teu  corpo magro, doente e fraco, que não sabe pedir ajuda, de energias. Espero pai que tua hora venha daqui há uns 20 anos e não nos próximos 20 dias e que estejamos na praia e nos reconheçamos como iguais, não num quarto de hospital.

Eu não tenho crença. Não acho que você vai pro inferno e se for acredito que encontre pessoas por lá. Só quero que essa cerração que nos separa todas as vezes que nos encontramos dê lugar a um dia bom, desses que as gargalhadas acordem os vizinhos de felicidade.

E por que eu não sei me expressar de uma forma diferente, espero que um dia entenda esses versos, por que eu acho que trilho hoje os caminhos que vc abriu:

 

blogs abandonados.
poemas por escrever.
artigos pra começar.
leituras pra terminar.
meu corpo pede calma.
minha cabeça gira sem parar.
estou voltando pra casa.
depois de dias suspensa.
fora da própria pele.
isso jamais seria poesia.
porque antes do mundo
era o desabafo.

Pilar Bu
Maio. Rio de Janeiro. Faz frio.

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Oficina Magnífica Mundi

 

Hoje o post do bloguinho é sobre a experiência maravilhosa que tive no último dia 9, desse mês de maio. Tudo bem, já tá na página do  Minaescriba, já tá no facebook, já tá na vida, mas eu quero falar mais.

Quando decidi mudar tudo.tudo.tudo. E me dedicar à literatura eu sabia que um caminho bem louco e bem intenso estaria por vir. Eu só realmente não sabia que ia ser mais maravilhoso do que eu sonhava.

Já devo ter dito aqui que oficinas de escrita, grupos de escrita, cursos de criação são uma paixão real pra mim. Eu amo fazer o que eu faço, estar nesses espaços, compartilhar e receber tudo de bom que emana desse tipo de coisa.

Muito mais do que ensinar alguma coisa a alguém (por que vamos combinar que não é sobre isso), esses ambientes são maravilhosos para estimular, para trocar experiência, para dividir e multiplicar, para tirar-nos da bolha solitária da escrita, para quebrar (como diria Ana Rusche) todas as gavetas. E olha que essas gavetas tão tudo embolorada, com teia de aranha e tem algumas que a chave sumiu!

Pois bem, à Convite da Magnífica Mundi (alô Lucas Botelho e Dayane, só amor!) fui dar uma oficina pocket (ainda insisto com isso) de escrita criativa para mulheres junto com a Polli Di Castro, outra minaescriba. A magnífica já tem coisas magníficas por si só, então imagina a emoção.

A proposta era levar reportagens que tivessem algum tipo de violência contra a mulher inserida no contexto, seja verbal, física, ou de resgate de memória. Como eu acho esse assunto um espaço de dor e fico preocupada, levei nossos já conhecidos recorte de classificado como plano B e disse que tinha aviso de gatilho.

Gosto quando esses rolês são mais intimistas, a gente consegue conversar, se conhecer melhor, dar tempo para os textos acontecerem e quando vamos falar de estrutura, temática, ritmo, construção literária fica muito mais gostoso. Aprendi a não me surpreender, mas sempre me surpreendo e faço cara de: tem um Dinossauro da sala! (essa história, rs.). E dessa vez não foi diferente.

Os textos escritos por jornalistas, escritoras e mulheres (ufa!) maravilhosas trouxe uma gama muito poderosa de representatividade: a mulher combativa que luta por ela e pelas que não podem lutar; a ligação do além que faz uma mulher morta, vítima de femicídio, voltar pra luta contra misóginos; a mulher que morre socialmente por falta de escolha e a crítica a quanto precisamos resistir e não nos anular; o grito contido frente ao impronunciável das agressões verbais; o grito que rompe o silêncio de uma cronista que encontrou na poesia a forma de se expressar esses assuntos interditos.

E então a provocação foi dada, a hora passou e a gente nem viu. De um jeito que acontece muito quando estamos em sintonia. Eu não acredito em musas (vocês já devem saber), acredito na força do trabalho que pode nascer desses pequenos encontros, dessas pequenas fagulhas de vontade que podem incendiar a terra. Nessa rede do bem que promove debates e discussões a cerca de temas duros, difíceis e assim os rompe, os metamorfoseia, os transforma em literatura da melhor qualidade.

Num momento como o atual acho extremamente necessário que sejam criados ambientes seguros para mulheres tratarem de espaços de dor, espaços interditados e difíceis de serem acessados pela memória, mas que quando fazemos esse tipo de exercício se torna libertador poder colocar no papel.

Saí, evidentemente, cheia de epifanias.

Obrigada às queridas Clara, Dayane, Karli, Natália e Veronica, encontra-las faz tudo valer à pena. Essa parceria vai longe demais!

Obrigada Polli Di Castro, minaescriba amada, por sonhar as loucurinhas comigo.

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Karli, Clara, Natália, Verônica, Dayane e Pilar Bu
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Polli Di Castro diva e deosa

 

Deu nas Escritoras Suicidas

Eu tenho um carinho muito grande pela revista Escritoras Suicidas, além do nome ser maravilhoso e eu me identificar muito, eu gosto da proposta da revista e das temáticas abordadas.

Sair nessa revista foi algo do tipo: Deosa, cê tá ouvindo as preces dessas pobre leonina! Fiquei muito surtada, gritando em casa e pensando em como era maravilhoso fazer parte como escritora convidada de algo que eu acredito muito.

Dobras foi a poesia que escrevi especialmente para a revista, que eu entendi que se encaixava muito na temática Onde me arrancaram todos os pés. Um poema escrito com muita dor sobre uma temática de memória afetiva quase mutiladora. Dobras talvez seja o poema que percorre a minha vida, desde sempre, desde menina.

Prelúdio já estava escrito, achei que tinha tudo a ver com a temática Último Pedido, porque é a contestação da própria existência cravada dentro do poema.

Inéditos, estariam destinados a serem ilustrados por uma das fotos mais lindas e emblemáticas que já vi. Uma mulher à beira do poço, num momento onírico, captada pelas lentes de Dara Scully. Eu que escrevi não muito recentemente sobre alguém que está cindida inclusive para pular e desiste, dias mais tarde escrevi sobre o voo mal sucedido em si, agora estava representada em imagem e verso pela eterna queda intimista de minha poesia.

Só tenho a agradecer por ter tido o privilégio e amor de ter estado naquelas páginas ao lado de escritoras maravilhosas que sempre só ousei babar na literatura. Obrigada Silvana, vc é de uma generosidade sem fim.

No mais, curtam essa fog Pilar Bu suicida que habita os dias cinzas dessa poeta que vos escreve.

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foto de Dara Scully

 

 

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